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Países do Mercosul participam de seminário sobre hepatites virais

Objetivo é debater ações para eliminação da hepatite C e da transmissão vertical da hepatite B na América do Sul 

Acesso a medicamentos para hepatites virais B e C; estratégias de microeliminação da hepatite C e eliminação da hepatite B; cobertura universal à saúde e hepatites virais; e a eliminação da transmissão vertical da hepatite B foram eixos temáticos do Seminário de Hepatites Virais – Presidência Pro Tempore do Brasil no Mercosul 02/2019, realizado nos dias 22 e 23 de agosto, em Brasília, e que reuniu especialistas, gestores e pesquisadores do Brasil, Argentina, Paraguai, Uruguai. Bolívia e Chile também enviaram representantes para o evento.

“As hepatites virais estão entre as principais pautas do Ministério da Saúde e os temas a serem debatidos com especialistas neste evento vão ao encontro da nossa luta pela eliminação da hepatite C”, afirmou o diretor do Departamento de Doenças de Condições Crônicas e Infecções Sexualmente Transmissíveis (DCCI), Gerson Pereira. “A redução da transmissão vertical da hepatite B é outro objetivo que temos em nosso programa”.

Apesar do foco na eliminação da doença, Gerson Pereira observou que é necessário se pensar no diagnóstico mais eficaz. “Se nós queremos acabar com a hepatite C, precisamos diagnosticar, descobrir novos casos”, disse. “Outra questão é o tratamento, por isso vamos investir na compra de medicamentos”.

A representante da Assessoria da Assuntos Internacionais (AISA) do Ministério da Saúde, Thaísa Lima, destacou que o resultado dos debates durante o seminário seja levado para os ministros da saúde dos países do Mercosul. “O Ministério da Saúde reconhece o quanto é importante que elenquemos os assuntos discutidos e que as comissões levem suas observações para a próxima reunião de ministros dos quatro países, prevista ainda para 2019”, disse. “A pauta do seminário vai ao encontro do interesse do Ministério da Saúde, que tem como objetivo investir nos medicamentos para as hepatites B e C. O tema negociação conjunta de preços dos medicamentos é outra de nossas pautas, um esforço do atual ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta”.

A representante do escritório da Organização Pan-Americana de Saúde no Brasil (OPAS/Brasil), Katia Campos, reforçou a busca pelo fim das doenças. “O tema é importante para fortalecer a capacidade técnica dos  países do Mercosul para a eliminação das hepatites B e C na  região”.

Programação – No primeiro dia do evento, os desafios para o alcance da eliminação das hepatites virais na América Latina foram apresentados por Nick Walsh (OPAS/Washington); Nila Heregia, da Organismo Andino de Saúde (ORAS), mostrou que o alto custo dos medicamentos é um dos maiores desafios dos países da região andina (Bolívia, Chile, Colômbia, Equador, Peru e Venezuela). O programa sub-regional da OPAS/OMS para a América do Sul foi exposto por Rubén Mayorga. Emma Coronel, do Programa Nacional de Controle das Hepatites Virais da Argentina, relatou os problemas atuais encontrados pelos países membros do Mercosul, de acordo com o relato na última reunião da Comissão Intergovernamental de HIV/Aids do Mercosul (CIHIV-Mercosul). A falta de informações estratégicas, diagnóstico, testagem e tratamento estão entre os maiores desafios.

Os representantes da Organização “Iniciativa” Medicamentos para Doenças Negligenciadas (DNDi, sigla em inglês), Francisco Viegas e Graciela Diap, abordaram a inovação e o acesso a medicamentos para hepatite C; a incorporação e o processo de custo-minimização do protocolo brasileiro de hepatites foram temas da apresentação de Gláucio Mosimann, da área de hepatites virais do DCCI; Cielo Rios, do Ministério da Saúde da Colômbia, falou sobre a estratégia de compra centralizada; o acesso a medicamentos e o impacto para a política de hepatites virais foram temas da apresentação de Emma Coronel, do Ministério da Saúde da Argentina.

O primeiro dia do evento teve outros temas: a experiência da Médicos Sem Fronteiras (MSF) na ampliação do medicamento para hepatite C, por Felipe Carvalho; modelo de atenção centrado na atenção primária à saúde e no profissional de enfermagem, com Gláucio Mosimann, do DCCI; a estratégia de simplificação do diagnóstico e cuidado, com Patrícia Contreras, do Ministério da Saúde do Chile; e a experiência de participação da sociedade civil na abordagem às hepatites virais, com Carlos Varaldo, do Grupo Otimismo e da Aliança Independente dos Grupos de Apoio (AIGA).

Na sexta-feira, 23, foram  apresentados a experiência de microeliminação da hepatite C, na Argentina (Emma Coronel, do Ministério da Saúde da Argentina); a experiência de participação da sociedade civil na abordagem às hepatites virais (Jeová Fragoso, do Grupo Esperança); o acesso à medicação (Pedro Villardi, da Associação Brasileira Interdisciplinar de Aids e Grupo de Trabalho sobre Propriedade Intelectual); e a experiência da microeliminação da hepatite C no Brasil (Gláucio Mosimann, do DCCI).

Também foram abordadas as estratégias para o enfrentamento da transmissão vertical das hepatites virais; os desafios para a eliminação da transmissão vertical das hepatites B e C; e o diagnóstico e o tratamento de hepatite B em mulheres em idade fértil, gestantes e crianças expostas.

Ao final do seminário, foi formulada uma proposta de Declaração da Comissão Intergovernamental de HIV/Aids do Mercosul (CIHIV-Mercosul) sobre Hepatites Virais para Reunião de Ministros da Saúde do Mercosul.

Fonte: Agência AIDS

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